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IMPORTÂNCIA DA MANUTENÇÃO DE PONTES FOI DESTAQUE NO SEMINÁRIO ABCIC-IBRACON NA ABERTURA DA BRAZIL ROAD EXPO 2015

Publicado em 24 Março de 2015

Para o Brasil fazer a transição da malha de transporte atual, onde rodovia representa 58% do total de vias e ferrovia 25%, para a meta estabelecida de termos, até 2025, uma distribuição de 35% de ferrovias e 25% de rodovias, teremos de colocar em prática um eficiente sistema de manutenção de pontes existentes nesses dois modais. A avaliação foi feita pelo engenheiro Túlio Nogueira Bittencourt, presidente do IBRACON – Instituto Brasileiro do Concreto, durante palestra “Modelagem computacional como ferramenta para o monitoramento de estrutura de pontes existentes”, na abertura do II Seminário Abcic/IBRACON de Infraestrutura Viária e Mobilidade Urbana, organizado pelo IBRACON em parceria com a Abcic – Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto durante a Brazil Road Expo 2015, aberta nesta terça-feira (24/3).

De acordo com a presidente-executiva da Abcic, Íria Doniak, o objetivo de promover esse seminário é apresentar soluções construtivas em concreto convencional e pré-fabricado, além da manutenção das estruturas já existentes.

O presidente do IBRACON informa que existem atualmente uma série de ferramentas modernas e eficientes para executar essa manutenção de pontes. “Há modelos sofisticados, baseados em modelos computacionais e sistemas de monitoramento, que possibilitam: identificar deformações; fazer análise não-lineares ou dinâmicas, inclusive da interação entre o veículo, a via e a ponte; desenvolver modelos de cargas móveis realistas compatíveis com as condições reais de tráfego; e finalmente incorporar esses resultados para melhor avaliar as condições de segurança e desempenho das estruturas, ao longo do tempo”, afirmou Bittencourt.

Segundo o engenheiro, que é professor da POLI/USP, há instrumentos que permitem, inclusive, estabelecer quando intervir na estrutura. Isso é possível com um misto de instrumentos que fornecem uma visão global das estruturas, mas também elementos que permitem uma análise local, envolvendo detalhes de juntas e ligações. “Com isso, é possível perceber níveis de deterioração provocada pela ação do tempo, intempéries e também das cargas às quais a ponte foi submetida, além de detectar danos como trincas e fissuras”, esclarece.

O presidente do IBRACON salientou, no entanto, que para isso ter o resultado esperado pelos profissionais da área e também pelas autoridades, é imprescindível que se tenha parâmetros históricos sobre o uso das pontes. “Temos casos de estruturas e de pontes das quais não se encontra sequer o projeto, quanto mais um histórico com as ocorrências, as cargas e as manutenções realizadas ao longo do tempo”, comenta Bittencourt. Ressalto, porém que essa falta de histórico não é uma característica apenas do Brasil. Ele lembra que, em recente viagem à Alemanha, ouviu de colegas engenheiros alemães a mesma queixa sobre falta dos projetos originais.

O II Seminário Abcic/IBRACON de Infraestrutura Viária e Mobilidade Urbana contou a mediação da presidente-executiva da Abcic, Íria Doniak, que destacou a importância e a oportunidade da realização do evento para a atual conjuntura do país. “Independentemente da conjuntura desafiante que vivemos atualmente, a urgência em ampliar, manter e modernizar nossa infraestrutura viária, assim como garantir adequadas condições de mobilidade urbana, é notória. Prova disso é o agronegócio, um dos mais eficientes e produtivos do mundo, que perdas de produtividade em razão da insuficiência de vias adequadas para o escoamento da safra”, observou.

Na sequência, o engenheiro Ronaldo Vizzoni, da ABCP – Associação Brasileira de Cimento Portland, promoveu a palestra “Pavimento de Concreto. Uma solução sustentável”, que destacou a competitividade da utilização do pavimento de concreto em rodovias e vias de tráfego intenso, em corredores de transporte público (BRTs, ônibus), nas pistas e pátios de aeroportos, portos, viadutos, pontes, túneis, pisos industriais e comerciais e áreas sujeitas a derramamento de combustíveis.

Entre os benefícios do pavimento de concreto estão a durabilidade, a sustentabilidade, por reduzir o consumo de energia elétrica e a temperatura ambiente, é executado por sofisticadas técnicas, diminuição de custos com manutenção, e não sofre deformações plásticas, buracos e trilhas de rodas. “A rodovia Castelo Branco, por exemplo, consome menos energia elétrica por aproveitar a característica de reflexão da luz do pavimento do concreto”, contou Vizzoni.

Além disso, um estudo apresentado pelo executivo da ABCP aponta que o pavimento de concreto em termos de custos da construção é mais competitivo para vias com circulação acima de 3000 veículos nas duas direções. “O investimento inicial do pavimento de concreto ante o uso do asfalto é cerca de 4% menor e no valor presente a redução chega a aproximadamente 29%”, explicou VIzzoni.

O engenheiro Julio Timermann, vice-presidente do IBRACON e coordenador da Comissão de Estudos de Inspeção de Estruturas de Concreto da ABNT/CB-18, apresentou, durante o seminário Infraestrutura Viária e Mobilidade Urbana, o estágio atual para a normalização de inspeção de pontes. “A NBR 9452 – Inspeção de Pontes, Viadutos e Passarelas de Concreto está com o texto base concluído, em formatação pela ABNT para entrar em consulta pública neste semestre”, afirmou.

Para a elaboração do texto base, Timermann contou que houve um consenso entre todos os envolvidos na cadeia produtiva, com a participação de representantes de órgãos governamentais, de empresas estatais e privadas, consultorias e entidades setoriais. “Durante a reunião da comissão, tivemos a presença de 20 a 25 profissionais de todo o segmento. Isso foi muito importante para o texto”, diz.

A revisão da norma inclui os detalhes dos quatro tipos de inspeção: cadastral, rotineira, especial e extraordinária bem como sugere os prazos para a execução das inspeções rotineiras (não superior a um ano) e especial (de cinco a oito anos, dependendo da classificação da obra). “Há ainda um anexo para a realização de inspeção subaquática, já que existem fissuras que aparecem por questões como a erosão”, aponta Timermann.

Outra inclusão importante realizada no texto base da NBR 9452 é a inclusão de critérios de classificação das obras, que considera parâmetros estruturais, funcionais e de durabilidade. A partir daí, são atribuídas notas de 1 a 5 para cada parâmetro, refletindo a maior ou menor gravidade dos problemas detectados. E as obras são classificadas por níveis. “Nosso objetivo é fornecer subsídios para entidades que administram rodovias a realizar a manutenção e inspeção de pontes, de maneira eficiente e segura”, analisa Timermann.

A última apresentação ficou a cargo de Gustavo Rovaris, da Cassol Pré-fabricados, que detalhou a obra do Complexo de Itaguaí, no Rio de Janeiro. Entre os desafios estavam a compatibilização do projeto do sistema convencional ao sistema industrializado, a produção e logística de movimentação interna com transporte e movimentação de vigas de até 64 toneladas, viabilização em fábrica de vigas com 30 metros e até 86 toneladas, minimização de patologias com o concreto autoadensável e produção e montagem em tempo recorde.

De acordo com Rovaris, um dos destaques do projeto é o sucesso da migração da protensão por pós-tração para o pré-tração ou misto na fábrica. “O sistema é ideal para pontes e viadutos urbanos devido a falta de espaços nos canteiros”, diz.

O ciclo de palestras foi encerrado por um debate entre os participantes, que contou com a mediação da presidente-executiva da Abcic. As duas entidades estão com um estande na Brazil Road Expo, promovendo o uso do concreto na infraestrutura viária e mobilidade urbana.

Lázaro Souza
Mecânica de Comunicação - Assessoria da Abcic
(11) 3259-6688 - 99853-0371

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